PRIMEIROS FLAGRANTES
sexta-feira, 31 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
CCEPA NA MÍDIA
“Justiça
não é Vingança”
Milton
R. Medran Moreira
Advogado
e jornalista. Presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
Em tempos de discussão sobre a redução da
maioridade penal, chamou atenção depoimento com o título acima, publicado na
Folha de São Paulo (28/4). Sua autora: a jornalista Luiza Pastor, 56. Ela foi
estuprada quando tinha 19 anos por um menor com vasta folha policial que já
fora detido várias vezes por fatos semelhantes. Levada por terceiros à
delegacia, reconheceu o garoto delinquente, identificado como PS, e conheceu
sua história: filho de uma prostituta, era criado pela avó, evangélica,“que
tentara salvar-lhe a alma à custa de muitas surras”. A conversa que ouviu dos policiais foi de que
não adiantava mantê-lo preso, coisa que, aliás, não fora pedida por ela. “Esse
é dos tais que a gente prende e o juiz solta”, disseram, acrescentando: “O
melhor mesmo é deixar ele escapar e mandar logo um tiro”. Não concordando com
solução, Luiza foi chamada de covarde e ainda teve de ouvir: “Se está com pena
dele, vai ver que gostou!”.
Traumatizada com o fato, Luiza foi embora do
país. Retornou depois de muitos anos. Agora, sempre que ouve falar em redução
da maioridade penal recorda a história de PS, de quem nunca mais soube. Renova,
então, a crença de que se o Estado não investir fortemente em educação dirigida
a milhares de jovens em idênticas condições daquele, “teremos criminosos cada
vez mais cruéis, formados e pós-graduados nas cadeias e ‘febens’ da vida”.
Se PS ainda vivesse, teria uns 50 anos, hoje.
Mas, é quase certo que não vive mais. No Brasil, dificilmente alguém com seu
perfil passa dos 30 anos. Morre antes, por doenças contraídas na cadeia, quando
não abatido pela polícia ou em disputa com outros delinquentes.
Teórica e tecnicamente, a redução da
maioridade penal seria defensável. Um garoto de 15, 16 ou 17 anos, hoje, tem
plena capacidade de entender o caráter criminoso de seus atos. Mas, na prática,
de nada vai adiantar encarcerá-lo e submetê-lo às péssimas condições de nossos
presídios, onde inevitavelmente se fará refém de líderes criminosos que
comandam o ambiente prisional e coordenam, além de seus muros, a violência que
nos apavora. Sem qualquer possibilidade de aquisição de valores positivos que
só o trabalho e a educação, desenvolvidos em ambiente minimante humanizado,
poderiam lhe oferecer, esses garotos, que nem lar tiveram, não têm qualquer
chance de recuperação. A sociedade e o sistema os fizeram irrecuperáveis. E
pena que não recupera é inócua. É vingança que nega a justiça.
Numa concepção imediatista e materialista, a
solução de “mandar logo um tiro”, sugerida pelo policial, poderia se
justificar. À luz de um humanismo espiritualista, entretanto, estamos todos
comprometidos uns com os outros. Criminalidade é doença da alma. E é
contagiosa. O egoísmo de alguns, a injustiça social, o orgulho e a arrogância
de tantos, a falta de solidariedade, são agentes desencadeadores do crime cujos
efeitos atingem “culpados” e “inocentes”. Numa perspectiva imortalista e
reencarnacionista, a ausência de políticas pedagógicas e de justiça social, no presente,
assim como o exercício da vingança privada ou social, no lugar de uma justiça
recuperadora, constituem-se em políticas a repercutirem negativamente nas
sociedades do futuro. Adiar significa agravar. E já adiamos demasiadamente.
Artigo
publicado no jornal ZERO HORA de Porto Alegre em 02 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
LE JOURNAL SPIRITE
– Remessa por e-mail
Após
a postagem a respeito de Le Journal Spirite editado em espanhol, o presidente
do CCEPA, Milton Medran Moreira, recebeu pedido de remessa da edição em pdf
enviada por um companheiro espírita de Bagé, que se identificou como advogado e
também filiado à Loja Maçônica Amizade.
Entretanto,
quando pretendia atender o pedido, uma pane em seu computador, terminou por
extraviar a mensagem recebida.
Medran
está, assim, solicitando àquele internauta, cujo nome não guardou, que volte a
se comunicar com ele pelo mesmo e-mail: medran@via-rs.net
.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
LE JOURNAL SPIRITE
Recebemos de Jacques Peccatte, Diretor do Cercle Espirite Allan Kardec
(Nancy-França), em PDF a edição eletrônica em espanhol da revista Le Journal Espirite nº 92 (abril de
2013).
A matéria de capa dessa excelente edição
aborda o tema “El impulso divino y el
Universo...” com uma série de artigos do maior interesse além da magnífica
apresentação gráfica.
Interessados em assinar esta revista em
edição gráfica francesa, poderão escrever para: Jean-Claude Thirion – 22, boulevard d’Haussonville – 5400 Nancy –
Tel: 03 83 21 5247.
O Presidente do CCEPA, Milton Medran Moreira, poderá repassar a interessados esta última edição em espanhol.
E-mail: medran@via-rs.net
E-mail: medran@via-rs.net
quarta-feira, 24 de abril de 2013
EMOÇÃO E ALEGRIA MARCAM
77
ANOS DO CCEPA
| Abertura do encontro: Alcione, Medran e Dante |
Fundada em 23 de abril de
1936, a antiga Sociedade Espírita Luz e Caridade, hoje Centro Cultural Espírita
de Porto Alegre, recordou, na noite de 21/4/2013, um pouco de sua trajetória.
Com a presença do presidente
da Confederação Espírita Pan-Americana – CEPA - , Dante López (Rafaela/AR),
acompanhado de sua esposa Mónica e de Gustavo Molfino, 3º vice-presidente
(Rafaela/AR), e de dirigentes, associados e amigos do CCEPA, uma sessão
comemorativa marcou a efeméride. Presente também Alcione Moreno, presidenta da
CEPABrasil – Associação de Delegados e Amigos da CEPA no Brasil, que compôs a
mesa, juntamente com os presidentes do CCEPA e da CEPA.
A sessão foi aberta com a
palavra do presidente da instituição, Milton Medran Moreira, que destacou o
perfil livre-pensador assumido pelo CCEPA ao curso de uma trajetória marcada
por uma histórica inquietação “sempre caracterizadora de homens e mulheres que
por aqui passaram”.
Na sequência, Salomão Jacob
Benchaya, diretor e ex-presidente do CCEPA, apresentou trabalho projetando na
tela dados e imagens que sintetizam um pouco da história da tradicional Casa
Espírita da Rua Botafogo, em Porto Alegre.
Seguiu-se a palavra
coloquial e serena de Maurice Herbert Jones, o mais antigo colaborador do
CCEPA, presidente por várias vezes da Casa e principal condutor das
transformações ali ocorridas ao curso desses 77 anos. Jones traçou interessantes
paralelos da história do CCEPA e suas ideias com outros movimentos
progressistas da humanidade, onde a “desobediência” e a incessante busca de
novos paradigmas e horizontes impulsionam as mudanças e o progresso.
Vários visitantes usaram da
palavra para saudar a instituição aniversariante: Dante López, presidente da
CEPA; Alcione Moreno, presidenta da CEPA Brasil; Mauro de Mesquita Spínola, 2º
vice-presidente da CEPA; Homero Ward da Rosa, delegado da CEPA em Pelotas/RS; e
José Dorneles Budó, delegado da CEPA em Santa Maria/RS.
Também participou da sessão
comemorativa dos 77 anos do CCEPA a delegada da CEPA em São Paulo, Jacira
Jacinto da Silva, ex-presidenta da CEPABrasil.
FLAGRANTES DO ENCONTRO
FLAGRANTES DO ENCONTRO
| Gustavo Molfino e Dante López |
Delegados da CEPA,
colaboradores e dirigentes do CCEPA, em clima de animação e de
confraternização, trabalharam durante todo o dia com projetos para os próximos
anos da instituição.
Todos deverão estar reunidos
novamente, no período de 30 de maio a 2 de junho, em Conde, nas proximidades de João Pessoa, no III Encontro
Nacional da CEPABrasil.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
CCEPA NA MÍDIA
Simplesmente,
humano.
“É uma pessoa que não tem nada de inquisidora,
extremamente afável, gentil, absolutamente tranquila”. (Leonardo Boff, sobre Bento
XVI, 2005)
Só o tempo ou, quiçá, nem ele, poderá revelar
à História todas as razões que levaram o Papa Bento XVI à renúncia de seu
pontificado. Demitir-se de um cargo para o qual foi eleito vitaliciamente e que
alça seu titular, no imaginário popular e por força da fé e da tradição, à
distinguida condição de “representante de Deus na Terra”, é gesto tão singular
quanto surpreendente.
Da instituição por ele dirigida reconhece-se,
mundialmente, sua força e poder. Mesmo que a História lhe haja imputado, ao
curso dos tempos, a autoria de graves violações aos mais caros valores
civilizatórios, seus dirigentes e fiéis chamam-na de “santa”. E, conquanto da
lista de seus sumos pontífices, constem nomes a quem se atribuem atos da mais
abjeta imoralidade e flagrante injustiça, o titular do cargo, recebe, em
qualquer circunstância, o tratamento de “Santidade”.
O adjetivo que antecede a nominação da Igreja
Católica Apostólica Romana e o tratamento reverencial reservado a seu sumo
pontífice, justificam os teólogos, não se vinculam exatamente ao procedimento
institucional e pessoal eventualmente adotado por um por outro, mas da missão
sacrossanta de que estariam investidos. Em tese, pois, estariam ungidos da
perfeição e das virtudes divinas, mas, na prática, como qualquer pessoa ou instituição,
sujeitam-se aos erros pertinentes à humana imperfeição.
Difícil entender essa contradição fora do
dualismo sagrado/profano. Por muito tempo, enquanto vigia no mundo a crença na
existência de uma “ordem divina” em inconciliável contraste com a “ordem
humana”, aquela incorrupta, esta corrompida por força do “pecado original”,
havia lugar para esse fatal e insuperável maniqueísmo. Dentro dessa concepção,
uma única instituição poderia se arrogar o privilégio da origem divina que a
faria ponte entre os céus e a Terra. Mas, composta que é de homens,
justificava-se fosse, ao mesmo tempo, santa e pecadora, virtuosa e devassa, sem
que, com isso, perdesse autoridade e
credibilidade.
A
modernidade, no entanto, sem que, talvez disso se apercebesse claramente a
Igreja, foi, pouco a pouco, superando o maniqueísmo sagrado/profano,
divino/humano, substituíndo-o simplesmente pelo natural. O fenômeno universal é
regido por leis naturais, que abarcam o físico e o moral, o material e o
espiritual. Não é preciso tirar Deus dessa nova concepção de universo. Ele aí
está presente como “inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas”,
consoante tenta defini-lo O Livro dos Espíritos (1857). Mas, para esse Deus não há pessoas e nem
instituições privilegiadas, acima do bem e do mal. “Criados” todos simples e
ignorantes, porque resultantes de um longo processo evolutivo, tornamo-nos
capazes de nos reconhecer mutuamente como iguais em direitos e obrigações,
sujeitos a erros e acertos e subordinados a uma mesma lei universal. Somos, no
plano e no estágio em que nos encontramos, simplesmente, humanos. Como humanas
serão todas as instituições que formos capazes de criar.
É nesse contexto que o velho conceito de
santidade vai dando lugar ao de humanidade. Descobre-se, pouco a pouco, que
toda a virtude, antes tida por revelação divina a alguns intermediários
privilegiados, está, de fato, ínsita na própria natureza humana, como fagulha
da divindade que a tudo deu origem e que a tudo alcança. Na medida em que essa
consciência se faz comum entre homens e mulheres, percebe-se que não há mais
lugar para distinções entre uns e outros e nem para outorgas representativas da
divindade, com leis que assegurem privilégios sejam esses por crença, sexo,
ideologia ou etnia.
Essa mesma consciência de humanidade que a
todos nos submete a princípios éticos universais é avassaladora. Pouco a pouco,
derruba, em todos os quadrantes, as mais resistentes autocracias e
aristocracias. Instituições, grupos raciais, políticos ou religiosos que teimam
em preservar seus membros da censura imposta por regras que a civilização e a
modernidade tornaram mundialmente cogentes, mais cedo ou mais tarde, terão de
se submeter a esse tratamento igualitário de que buscaram se furtar. É o tempo
da humanização que está um passo à frente da santificação.
Sem ser exatamente um santo, título que,
talvez, até o incomodasse, Joseph Ratzinger entendeu, quem sabe antes de seus
pares, que é simplesmente um homem e que humana é, simplesmente, a instituição
que dirigiu. Seria esse o móvel de sua renúncia?
Milton Medran Moreira - Presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre
Matéria Publicada no Jornal ZERO HORA de Porto Alegre em 28 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
A TRAGÉDIA DE SANTA MARIA - RS
A
TRAGÉDIA E NÓS
Impossível não sofrer junto!
Em algum momento, assistindo a
cenas tão dramáticas, como aquelas mostradas no último domingo, impossível não
experimentarmos parcelas vivas e reais da dor de mães, pais, irmãos ou amigos
dos cerca de 250 rapazes e moças, vítimas da maior tragédia já ocorrida no Rio
Grande do Sul.
A dor que sofremos juntos,
mesmo despertando indignação diante de imprevisão e do descaso humanos, também
faz brotar em cada coração sentimentos de solidariedade e um afeto profundo,
verdadeiramente fraterno, para com familiares e pessoas próximas das vítimas.
Isso é o que se chama de compaixão: o sofrimento compartilhado que gera
cumplicidade, solidariedade. Podemos, sim, ajudar, mesmo à distância, com
vibrações de amor, com preces que brotam da alma e chegarão, como bálsamos
suavizantes, à alma das vítimas e seus entes queridos.
Talvez seja tudo o que podemos
fazer neste momento. E esse tudo é muito. Por favor, ninguém tem o direito de
construir teses colocando aqueles jovens como culpados por atos antes
praticados. Importa que, aqui e agora, eles são vítimas. Vítimas da
imprevidência dos homens e do desprezo que temos pela vida.
Destino? Mistérios divinos?
Definitivamente, não. Erros humanos que todos temos o dever de evitar em favor
da vida digna, longa e feliz que sonhamos, planejamos e buscamos para ossos
filhos, neste Planeta!
Milton Medran Moreira – Publicado no jornal Diário Gaúcho de 29/01/2013
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Em 21 de janeiro, o Governador
Tarso Genro assinou decreto criando o Comitê Estadual de Diversidade Religiosa.
Uma iniciativa muito legal, formalizada no Dia Nacional de Combate à
Intolerância Religiosa.
Você deve saber o que é uma
pessoa intolerante. Todo mundo tem alguma na sua família ou relações. São
aqueles que se fanatizam por uma ideologia, um partido político, um clube de
futebol ou... uma religião! De todas essas categorias de intolerantes, a
pior delas é, justamente, a dos fanáticos religiosos. Eles simplesmente não
toleram o convívio com pessoas de crenças diferentes das suas. Ao contrário dos
demais intolerantes, eles se julgam detentores da VERDADE - assim mesmo, sempre
escrita em maiúsculo. Para eles, aquelas “verdades” extraídas de seus livros
sagrados ou dos dogmas de sua fé são a coisa mais importante da vida. Tanto da
vida deles como dos outros. Deles, porque a verdade os faz melhores que os
outros. Dos demais, porque, afastados da verdade, nunca serão felizes e nem tão
bons como eles.
Perceberam? A intolerância
religiosa vem da ideia de que quem não tem a verdade não é bom. Não tem
merecimento algum. Nunca terá a ajuda de Deus na Terra e irá para o inferno depois
da morte. Por isso, distância das pessoas que não conhecem a verdade! Não se
deve conviver com elas, a não ser para convertê-las, para levar-lhes a verdade.
Por isso, penso
que o Estado pode e deve combater e até criminalizar toda e qualquer
manifestação de intolerância religiosa. Mas, para acabar mesmo com ela só
quando cada um se convencer de que ninguém é detentor da verdade. Estamos todos
a buscando. E para chegarmos mais perto dela, são necessários muita humildade e
respeito às ideias dos outros.
Milton Medran Moreira - Publicado no jornal "Diário Gaúcho" em 29/01/2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
CCEPA NA MÍDIA
UM NOVO
AMANHECER
MILTON R. MEDRAN MOREIRA
Advogado e jornalista, presidente do Centro
Cultural Espírita de Porto Alegre
Místicos, astrólogos
e crentes de velhas teses sobre o fim do mundo previram acontecimentos
estranhos para dezembro de 2012. Ocorreriam, segundo apregoavam, com data e
hora aprazadas, catástrofes que levariam a radicais mudanças planetárias. Fim
dos tempos, para muitos. Início de uma nova era, para outros.
Para seus responsáveis e para a nação, ademais, estes acontecimentos históricos hão de ter efeito altamente pedagógico. Nada têm de apocalípticos. Não são, como alguns chegam a interpretar, indícios do final dos tempos. Claramente, contudo, compõem um quadro a caracterizar o fim de um tempo, prenunciando um novo amanhecer.
Desde que o mundo é
mundo, transformações geológicas e sociais, físicas e culturais, sucedem-se em
processos mais ou menos rápidos. Nós, espíritas, chamamos isso simplesmente de
evolução. Mudanças, em qualquer circunstância, pedem tempo, exigem correção de
rumos e, quando envolvem atitudes humanas, requerem conscientização.
"Natura non facit saltus" - a natureza não dá saltos - já diziam os
romanos.
Dezembro passou.
Despontou janeiro, renovando sonhos que renascem, sempre e sempre, em cada ano
novo. E a vida dos humanos seguirá seu rumo. Sem sobressaltos. Mesmo assim,
neste canto planetário, esta quadra parece assinalar mudanças que seu povo, de
há muito, vem acalantando e preparando. Há uma consciência generalizada a
reclamar novos padrões comportamentais nas relações entre governantes e
governados, entre os que detêm poderes políticos ou econômicos e aqueles que
destes dependem.
O processo judicial
do século, que a gente chamou de "mensalão" é, sem dúvida, um forte
marco visível dessa ânsia de transformações políticas, sociais e econômicas
inspiradas em uma imensa sede de ética, de equidade e justiça.
O povo, em sua
simplicidade, acha que tudo se resolverá com o encarceramento, e por muitos
anos, de alguns usurpadores do poder político e econômico. Vale considerar, no
entanto, que eles apenas repetiram velhas práticas enraizadas em uma cultura
que, hoje, dá sinais muito claros de saturação.
Ocorra o que ocorrer
com eles, entretanto, e mesmo que, eventualmente, burlem os visíveis mecanismos
de justiça, já lhes sobreveio, e lhes continuará sobrevindo, o ama rgo e
natural resultado de seus erros. Episódios como estes têm profunda repercussão
no íntimo tribunal da consciência de seus agentes. Consciência não se burla e,
perante seus precisos indicadores do bem e do mal, do certo e do errado, não
sobra qualquer espaço para a impunidade.
Para seus responsáveis e para a nação, ademais, estes acontecimentos históricos hão de ter efeito altamente pedagógico. Nada têm de apocalípticos. Não são, como alguns chegam a interpretar, indícios do final dos tempos. Claramente, contudo, compõem um quadro a caracterizar o fim de um tempo, prenunciando um novo amanhecer.
Artigo publicado no Jornal ZERO HORA de Porto Alegre em 12 de janeiro de 2013
sábado, 1 de dezembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
CECILIA ROCHA DESENCARNA
Retornou ao mundo espiritual, na madrugada no dia 5 de novembro, no
Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Santa Marta, no Distrito Federal, a incansável
servidora da causa espírita, especialmente da Evangelização Espírita de
Crianças e Jovens, a gaúcha Cecília
Rocha , 93 anos de idade.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
CCEPA NA MÍDIA
Mensalão – seu sentido
histórico
Com
a condenação, já delineada, das figuras mais representativas do chamado
“mensalão”, a frase que mais e ouve é: “Quero ver, mesmo, é se esses figurões
vão para a cadeia”.
É como se dissessem:
-
Está bem, agora todo o mundo sabe que eles cometeram crimes muito graves,
examinados detalhadamente por juízes sábios e justos. Estes mesmos julgadores
vão, a seguir, calcular as penas cabíveis para os crimes cometidos. Mas, e daí?
Isso de nada valerá, não terá nenhum significado, enquanto não os virmos no
fundo de uma cadeia, de preferência dividindo cela com assaltantes,
traficantes, estupradores e toda essa classe de gente que se quer ver bem longe
de nós! Ah! e tem mais: se as penas aplicadas forem de 15, 20 ou 30 anos, que
eles fiquem lá por esse mesmo tempo. Sem essa de, logo, serem beneficiados com
livramento condicional, saídas temporárias, prisão aberta ou coisas parecidas.
Quem lida com o Direito, sabe muito bem
que, na prática, as coisas não funcionam assim. Que, talvez, muitas sessões
aconteçam, ainda, no Supremo, até que se desempatem votos, se calculem e se
fixem as penas, se proclamem resultados, se redijam e publiquem acórdãos.
Depois, virão os recursos. Novas sessões. Muitos debates. Longos votos.
Posições divergentes a definir, primeiro, se cabem os recursos interpostos
pelos tantos advogados. Se o Tribunal deve ou não recebê-los. Após, se for o
caso, o exame do mérito de cada recurso. Novas e muitas sessões de debates.
Nesse meio tempo, talvez um, dois ou três ministros se aposentem. Serão
suscitadas questões de ordem sobre quem pode e quem não pode votar. Sobrevirão
recessos. Interrupções. Novas sessões. Decisões divergentes. Outros recursos.
Redação de novos acórdãos. Publicações. Depois de tudo, quem sabe, a prescrição
das penas. O falecimento de alguns. O esquecimento. A impunidade.
Num exercício de raciocínio que à
maioria, hoje, pode se afigurar como absurdo, suponhamos que nenhum réu
condenado vá para a cadeia. Que o tempo jogue a favor deles. Que o sentimento
da gente simples do povo que os quer ver no fundo do cárcere seja frustrado. E,
então, será de se perguntar: Terá valido a pena tanto esforço? Terá sido tempo
perdido?
Certamente que terá valido a pena. As
decisões já tomadas pelo STF têm um sentido histórico e simbólico que vai muito
além da literalidade da lei. Esta define o crime e lhe prescreve penas.
Esgota-se no que se chama de trânsito em julgado das decisões condenatórias ou
absolutórias. A fase da execução das penas se desdobrará em novos incidentes, recursos,
postulações e decisões. Alguns até poderão fugir do país, frustrando a
execução. Mesmo assim, nem eles nem o Brasil serão os mesmos daqui para frente.
Terão eles, em qualquer circunstância, fora ou dentro da cadeia ou do país,
aprendido que, perante a história e a nação, foram irremediavelmente
condenados. Teremos nós compreendido que o tempo joga sempre a favor do bem e
da justiça. Que sociedades justas e felizes se constroem também por leis que
podem ser burladas, mas, especial e fundamentalmente, pelo amadurecimento da
consciência ética de seus cidadãos e governantes.
E,
por falar em consciência, esta, quando culpada, dói do mesmo jeito na cadeia ou
no palácio. E dói sem tempo predeterminado de duração e sem se sujeitar a
prazos de prescrição. Dói enquanto não der lugar à reabilitação, à
transformação ética e ao ressarcimento. Porque justiça não é vingança. É
instrumento pedagógico de equilíbrio e de transformação do indivíduo e da
sociedade. É a arte de dar a cada um o que é seu.
Em qualquer circunstância, tenho o
nítido sentimento de que o Brasil sai radicalmente transformado desse episódio.
Independente do que vier a ocorrer com os réus do “mensalão”, com este
processo, estamos exorcizando o passado e pavimentando o futuro desta nação com
valores éticos há muito presentes no espírito da lei, mas, talvez ainda
obscurecidos ou ausentes de nossa consciência coletiva.
Milton
Medran Moreira
Advogado e jornalista.
Presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
Artigo publicado no Jornal ZERO HORA de
23 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
MOVIMENTO NACIONAL EM DEFESA DA SAÚDE PÚBLICA
Meus Amigos
Como já foi
amplamente divulgado, em 13 de janeiro de 2012, foi sancionado o Projeto de Lei
Complementar (PLP) nº 306, de 2008, através
da Lei Complementar nº 141, que regulamentou a Emenda Constitucional
(EC) nº 29, que, dentre outras medidas, assegurava o repasse integral de 10%
das receitas correntes brutas da União para a saúde pública. Porém, a presidente
Dilma Roussef, decidiu vetar 15 dispositivos do texto aprovado pelo Congresso
Nacional. Dentre estes, desautorizou a destinação de 10% das Receitas Correntes
Brutas da União (RCB) ao sistema público de saúde.
Mas, em 13 de Março
de 2012, várias entidades representativas da sociedade civil, decidiram iniciar
um movimento denominado MOVIMENTO NACIONAL EM DEFESA DA SAÚDE PÚBLICA, que objetiva a coleta de 1.000.000 (um
milhão) de assinaturas, para propor um Projeto de Lei de Iniciativa Popular,
que garanta o repasse dos 10% das RCB da União à saúde pública brasileira.
A representante da
CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da Confederação
Espírita Pan-Americana junto ao Conselho Nacional de Saúde, nossa amiga Sandra Regis, está integrada a esse
Movimento e necessita coletar o máximo possível de assinaturas junto aos
espíritas, incluindo seus familiares e amigos. Dependemos da união e máximo
empenho de todos em ajudar na coleta de assinaturas..
Pedimos a gentileza
de imprimirem o FORMULÁRIO que pode
se obtido clicando neste link e, após, coletarem o maior número possível de
adesões.
Enfatizamos a
importância do preenchimento completo dos dados do formulário, além da
assinatura ou a digital correspondente. Caso a pessoa não esteja na posse do
título de eleitor, deve anotar o nome da mãe no verso do formulário.
A seguir, por favor,
encaminhem as listas preenchidas e assinadas, até o dia 20/10/2012, via
Correios, para o seguinte endereço:
SANDRA REGIS
Av. Senador Vergueiro
1550 apto. 24
Jardim Três Marias –
São Bernardo do Campo – SP
CEP 09750-001
Mas, continuem a
coletar assinaturas até o dia 30.11.2012. Por favor, façam uma segunda remessa
de formulários até o dia 03.12.2012.
Sugerimos que as
casas espíritas promovam um dia de atividade especial, solicitando a todos que
levem seus títulos de eleitor para a devida coleta de assinaturas, deixando
claro que se trata de um movimento que objetiva pleitear mais verbas para a
saúde pública, e não tem qualquer vínculo ou conotação político-partidária.
Em nível individual,
cada um poderá levar formulários para seus locais de trabalho, estudo, grupo de
amigos, etc. para preenchimento e coleta de assinaturas.
Vamos fazer a nossa
parte?
Agradecemos
muitíssimo o empenho de todos.
Abraços.
Alcione Moreno - Presidenta da
CEPABrasil.
domingo, 23 de setembro de 2012
CCEPA NA MÍDIA
O Papa e o laicismo
Nothing to kill or die for, no religion too. (John Lennon)
Andou muito bem o papa Bento
XVI, em sua recente visita ao Oriente Médio, pedindo se respeite, ali, a
liberdade religiosa e defendendo o laicismo por ele adjetivado como "saudável".
Por muito tempo, a Igreja
condenou com veemência tanto a liberdade de crença quanto a laicidade da
sociedade e do Estado. E não faz tanto tempo assim. Não precisamos retroceder à
Idade Média e aos tempos em que vigorava, incontestavelmente soberana, a
teocracia religiosa no Ocidente. Todo o século 19 e boa parte do há pouco findo
século 20 serviram de cenário para uma tenaz luta da Santa Sé contra esses
princípios, de origem secular. Em 1832, o papa Gregório XVI, na encíclica
Mirari vos, chamava a liberdade de consciência de "pestilenta",
denunciando que essa postulação do mundo liberal abriria caminho à perigosa
introdução da "liberdade plena de opinião" e ao desenvolvimento das
falsas religiões. Outra loucura, para ele, era a separação entre Estado e
Igreja. Atrás disso, dizia, sobreviriam as maiores desgraças para as nações e
para a fé. Essas mesmas ideias foram repetidas em sucessivas encíclicas de Pio
IX e Pio X. O indiferentismo religioso, o laicismo, o relativismo em matéria de
fé, o naturalismo e todas as liberdades de pensar, de crer ou deixar de crer,
foram condenados com expressões arrasadoras, nas bulas e encíclicas papais do
mundo moderno e contemporâneo. Na base dessas posições estava a ideia de que
sem religião - ou, mais precisamente, sem a única religião verdadeira - não há
moral, não há ética, não se sustenta uma sociedade saudável.
Acho que é a primeira vez
que um sumo pontífice romano, nesse sermão pronunciado no Líbano (14/9/2012),
agrega ao substantivo laicismo o adjetivo saudável. Mesmo deixando espaço ao
entendimento de que existem outras formas de laicismo condenáveis, ou seja,
aquelas que se ocupam de combater as crenças de cada um, fica expresso o
reconhecimento de que laicidade não é sinônimo de imoralidade. É quase o reconhecimento
explícito de que, com ou sem religião, há no ser humano uma vocação natural
para o bem, para a ética, para o justo, para o progresso. Defendendo o
pluralismo religioso, o Papa afina seu discurso com a modernidade. Mais do que
isso, acenando para a prática do laicismo, reconhece que onde crenças
religiosas se arvoram em juízes das atitudes humanas, descamba-se para graves
violações aos direitos humanos. Não é por outra razão que o fundamentalismo
religioso é o responsável, hoje, como o foi ao curso de toda a História, por
nossas mais cruéis tragédias.
O mundo fica melhor na
medida em que sua gestão política e social se liberta da tutela religiosa. Isso
não significa divorciar-se da espiritualidade ou rejeitá-la. Só com o respeito
ao pluralismo, às liberdades individuais e políticas, pode-se desenvolver a
genuína espiritualidade. O autêntico laicismo sempre é saudável porque, sem
combater crenças individuais, admite a existência de uma gama infinita de
formas de interpretar o divino e o humano, a consciência e o universo,
buscando, no conjunto de tudo, o sentido da vida.
Paradoxalmente, aqueles
mesmos que, ainda ontem, rebelaram-se contra a vitória do laicismo sobre a
ditadura da fé, reconhecem, agora, que só numa sociedade genuinamente laica há
espaço para vicejarem e crescerem os verdadeiros valores do espírito. Sinal dos
tempos! Bons sinais. Plenamente concordes com a sentença de Jesus de Nazaré,
segundo quem "o espírito sopra onde quer". O que se pode ver é que,
cada vez mais, espiritualidade passa a ser sinônimo de humanismo. Migra do
inescrutável reinado do mistério e do dogma para o terreno aberto e democrático
das experiências humanas contra cuja corrente, quase sempre, se posicionaram as
castas sacerdotais. É a força do espírito livre, centelha divina presente no
homem. A ela tudo, um dia se há de conformar. Inclusive as religiões, quando
compreenderem que o verdadeiramente sagrado é o natural. Não o sobrenatural.
Com ou
sem religião, há no ser humano uma vocação natural
para o bem, para a ética, para o
justo, para o progresso
Milton Medran Moreira
Advogado
e jornalista, presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre
Artigo publicado no Jornal ZERO HORA
de Porto Alegre em 23 de setembro de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
CCEPA NA MÍDIA
EDUCAÇÃO - A ALMA DA SOCIEDADE
Todos nós que escrevemos para
jornais da RBS fomos convidados a participar da campanha “A Educação precisa de
respostas”. Literalmente, vestimos a
camiseta. Quanto a mim, vou guardar a foto que fiz para a campanha como parte
de meu modesto currículo. Se quiserem, podem até colocá-la em meu túmulo. Se é
que terei túmulo. Prefiro ser cremado. De meu corpo, aliás, façam o que
quiserem. Quero mesmo é levar para a outra dimensão da vida o único patrimônio
que, por lá, tem valor: o que aprendi e fiz de bom nesta encarnação.
A vida terrena é uma escola para o espírito.
Aprendemos uns com os outros. Todos temos algo a ensinar e aprender. Allan
Kardec, que era um pedagogo, definiu a educação como “a arte de formar
caracteres”, ou “o conjunto de hábitos adquiridos”. Outro escritor do Século
19, J.K Chesterton, disse que “a educação é simplesmente a alma de uma
sociedade a passar de uma geração para a outra”.
A RBS
lança a campanha no exato momento em que Estado e sociedade buscam soluções
para a grave questão penitenciária. Presos superlotam as cadeias. Já não se
sabe o que fazer com eles. Com o avanço da criminalidade, não se vislumbram
soluções a curto prazo. Reeducar certos delinquentes é tarefa difícil. Não é
fácil remover hábitos adquiridos. Pitágoras, um filósofo da Antiguidade,
sabiamente recomendava: “Educa a criança e não precisarás punir os adultos”.
Ele sabia que não há obra mais valiosa que a educação. É, sim, a alma da
sociedade transmigrando de geração a geração.
Já perdemos
tempo demais. É hora de se dar respostas. Para que as próximas gerações não
sofram o que padecemos hoje.
Milton Medran Moreira
Crônica publicada no jornal "Diário Gaúcho" de 04 de setembro de 2012.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
XXI CONGRESSO - Santos
UM CONGRESSO PARA ESPIRITUALISTAS LIVRE PENSADORES
"Se acreditarmos em
qualquer religião, isso é bom. Porém, mesmo sem uma crença religiosa, podemos
nos arranjar.
"Se acreditarmos em
qualquer religião, isso é bom. Porém, mesmo sem uma crença religiosa, podemos
nos arranjar.
Se quisermos
acreditar, ótimo! Se não quisermos, tudo bem. É que existe um outro nível de
espiritualidade.
É o que chamo de 'espiritualidade básica' -
qualidades humanas fundamentais de bondade, benevolência, compaixão, interesse
pelo outro. Quer sejamos religiosos, quer não sejamos, esse tipo de
espiritualidade é essencial.
Eu particularmente considero esse segundo
nível de espiritualidade mais importante, porque, por mais maravilhosa que seja uma religião específica, ainda assim
ela só será aceita por uma parte da humanidade.
No entanto, enquanto
seres humanos, enquanto membros da família humana consciente, todos nós
precisamos desses valores espirituais básicos. Sem eles, a existência humana é
difícil, é muito árida". (Dalai Lama)
Você concorda com o pensamento de Dalai Lama?
A espiritualidade que
pode emanar de cada um é mola propulsora para transformar pessoas e a
sociedade, independente de religiões?
Terá a reencarnação
influência no comportamento humano? Somos os que pensamos hoje ou influenciados
por vivências múltiplas?
Essas e muitas outras
questões poderão ser discutidas em breve no XXI Congresso Espírita
Pan-Americano, um encontro de alto nível com participação de pesquisadores e
estudiosos do espiritismo das Américas e da Europa.
Você não pode perder.
De 5 a 9 de setembro, na Universidade Santa Cecília, uma programação que mescla
estudo, lazer, cultura e momentos inesquecíveis de confraternização.
Veja detalhes na
página oficial: http://www.congressocepa2012.com.br/
Inscreva-se. Contamos com sua participação.
terça-feira, 3 de julho de 2012
CCEPA NA MÍDIA
Artigo publicado no jornal Zero Hora de Porto Alegre em 03/07/2012
Como Pilatos no Credo
Milton Medran Moreira
Advogado e jornalista,
presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre
Em recente estada na
Bahia, comentei com um motorista de táxi detalhe que me chamara atenção nas
bancas do Mercado Modelo. Em outros tempos, quase todas elas eram decoradas com
orixás e símbolos do candomblé. Ao contrário, agora, senão a maioria, muitas
delas privilegiam a presença de Bíblias, salmos e letreiros do tipo "Só
Jesus salva".
O taxista me
confirmou: a Bahia estava se tornando evangélica. Mas, ele não. Continuava
católico e devoto dos orixás, assim como tinham sido Mãe Menininha e tantas
outras expressões da religiosidade baiana. Sentindo meu interesse pelo tema,
logo foi me perguntando: "E o senhor é católico?". "Não" -
lhe respondi -, "sou
espírita." - "Católico e espírita é tudo a mesma coisa" -
sentenciou o motorista, passando para outro assunto.
A recente divulgação
dos resultados do Censo, relativamente às crenças no Brasil, parece confirmar
um interessante fenômeno sociológico e antropológico que acontece entre nós:
religião mesmo, no sentido de fé pessoal em dogmas e verdades eternas e
imutáveis, só existe uma que cresce entre nós, a evangélica, nas suas múltiplas
denominações pentecostais e neopentecostais. Todo o resto está subsumido num
riquíssimo caldo de cultura, onde se desenvolve um espiritualismo abrangente,
pluralista, não necessariamente religioso, mas aberto à busca de um novo
entendimento acerca de Deus, do universo e do espírito. Temas, aliás, bem mais
filosóficos do que religiosos.
A partir daí,
parece-me correto concluir que o povo brasileiro se divide, hoje, em dois
grandes blocos: os religiosos, representados majoritariamente pelos
evangélicos; e os laicos, que, mesmo não se autodenominando como tais, assumem,
na prática, uma postura livre-pensadora, aberta, plural e alteritária nas
questões alusivas à espiritualidade.
Nesse sentido, talvez
tivesse razão meu interlocutor baiano: católicos e espíritas são a mesma coisa,
mesmo que as religiões das quais se digam adeptos preguem fundamentos
teológicos e espiritualistas bem diferenciados. Sem que nem sempre eles
próprios se apercebam, tornam-se cada vez menos religiosos e mais
livre-pensadores. Na prática, isso reforça a existência de uma diáspora entre
religião e espiritualidade. Pouco a pouco, a espiritualidade deixa os templos
para habitar o coração e a mente das pessoas livres.
No que diz com o
espiritismo, era exatamente assim que o pensava seu fundador, Allan Kardec
(1804/1869). Jamais o concebeu como uma religião, mas como uma área de estudo
que teria como objeto o "espírito". Do conhecimento gerado por esse
tipo de estudo, pesquisas e experiências, admitia defluiriam consequências de
ordem ética. Isso, no entanto, não o confundiria com a moral religiosa,
historicamente conflitante com o humanismo, o pluralismo e o progresso da
humanidade.
Por tudo isso, e
mesmo que o espiritismo apareça no censo do IBGE como a terceira
"religião" que mais cresceu no país (passando de 1,3% da população
para 2%), penso que ele entra, nessa e noutras pesquisas sobre religiões no
Brasil, como Pilatos no Credo, isto é, meio fora de contexto. Prefiro somá-lo
aos 8% de brasileiros que se declararam "sem religião", assim como
aos milhões de católicos e livre-pensadores já não mais comprometidos com os
dogmas de sua cultura ou tradição religiosa. Na grande maioria, somos profundamente
crentes nas potencialidades infinitas do espírito humano, no seu progresso e na
sua evolução, além dos limites da matéria, regido por leis cósmicas
inteligentes, emanadas de uma causa primeira, suprema inteligência do universo.
Isso nada tem a ver com religião e muito menos com as correntes religiosas que
mais crescem no Brasil.
sábado, 28 de abril de 2012
CCEPA EM SANTA MARIA
INTERCÂMBIO
CCEPA-ESTUDO E CARIDADE
Como
parte das comemorações do 85º aniversário da S.E. Estudo e Caridade, de Santa
Maria, o presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton
Medran Moreira, esteve naquela instituição, na noite de 26 de abril,
proferindo palestra sobre o tema "Espiritismo e Direitos Humanos".
Na
oportunidade, Medran saudou dirigentes e trabalhadores da instituição
aniversariante, mantedenora da obra social Lar de Joaquina, destacando a
histórica ligação daquela casa com o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
O novo
auditório, recentemente construído, da tradicional casa espírita santamariense
esteve lotado para a conferência.
Na
programação de aniversário de Estudo e Caridade, entre outras atividades
doutrinárias, o físico e escritor gaúcho Moacir de Araújo Lima fez
conferência, na noite de 13 de abril, sobre o tema "Ciência e
Espiritualidade". José Dorneles Budó, ex-presidente da Estudo e
Caridade e Delegado da CEPA em Santa Maria, falou, na noite de 21 de abril,
sobre "Laicismo e Espiritismo".
Neste
sábado, 28 de abril, um animado jantar dançante, com mais de 400 participantes,
encerra as solenidades comemorativas ao 85º aniversário da entidade que,
recentemente, concluiu as obras de moderno prédio de três andares para abrigar
o Lar de Joaquina, obra social muito cara à comunidade da cidade gaúcha
de Santa Maria.
FLAGRANTES DA CONFERÊNCIA DE MEDRAN
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